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Você sabe o que é Medicina Chinesa e o que ela pode fazer por você?
Medicina Chinesa
Criada há cinco mil anos, se baseia no conceito de que todo ser vivo possui várias energias circulando em seu corpo e que a doença, nada mais é do que a manifestação do desequilíbrio dessas energias. Seu tratamento, portanto, está no reequilíbrio desse fluxo energético.
O diagnóstico na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) se faz através de observações importantes chamadas de “os 4 Tempos de diagnóstico” (inspeção, audição/olfação, interrogatório e palpação), que embora aparentemente simples, demoram alguns anos a ser completamente dominado pelo profissional. Em busca das informações necessárias destaca-se a observação da língua e o exame do pulso, pois ambas fornecem informações preciosas e exatas para o diagnóstico final.
A forma de tratamento da Medicina Chinesa pode ser dividida em:
Medicina Interna: Fitoterapia e Dietoterapia
Medicina Externa: Acupuntura, Terapias Manuais e Exercícios terapêuticos.
A união dessas técnicas faz com que o tratamento seja completo e rapidamente eficaz.
 
Fitoterapia
Esquecidas durante muito tempo pelos ocidentais, as ervas medicinais hoje reassumem seu papel como o mais valioso recurso terapêutico oferecido pela natureza. A Fitoterapia Chinesa é o mais antigo sistema de cura do mundo e utiliza substâncias com funções medicinais para o tratamento do desequilíbrio energético do corpo.
Dentre as substâncias selecionadas temos algas, plantas, raízes, flores, cascas, sementes e folhas, além de especiarias culinárias, frutas e vegetais. Também faz parte desse arsenal de cura, substâncias minerais e animais. Segundo estatísticas nas obras clássicas da Matéria Médica Chinesa, existem mais de 12.888 variedades de substâncias medicinais catalogadas e agrupadas por características energéticas.
 
Para a prescrição de uma fórmula fitoterápica chinesa, é preciso conhecer as capacidades energéticas, curativas e sinérgicas das substâncias, ou seja, a interação de uma planta com as outras, já que uma fórmula poderá conter dez ou mais substâncias e cada uma delas com objetivos bem definidos: a substância Imperadora, por exemplo, vai determinar a ação da fórmula, as substâncias consideradas Ministros, potencializam a ação da Imperadora, as substâncias chamadas Assistentes ou Assessoras são necessárias para reduzir efeitos violentos da Imperadora, possuem também ação secundária na síndrome do paciente, e por fim as substâncias conhecidas como Mensageiras ou Coordenadoras conduzem a ação para o local da doença e harmonizam a combinação da fórmula em questão.
A Fitoterapia ou Farmacologia Chinesa é o recurso mais complexo dentro da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e também o mais eficaz, principalmente quando se trata de deficiências energéticas como causa do desequilíbrio.
 
Dietoterapia
É o recurso terapêutico mais utilizado na Chinesa, pois é parte integrante dos hábitos de vida desse povo. Cor, aroma e sabor não são os únicos princípios a serem seguidos na cozinha chinesa, os chineses têm uma crença tradicional no valor medicinal dos alimentos e que os alimentos e os remédios têm a mesma origem.
Na prática, o maior objetivo da Dietoterapia Chinesa gira em torno da recomendação correta da energia de cada alimento, de acordo com o diagnóstico energético individualizado, e, conseqüentemente, o desenvolvimento de bons hábitos alimentares.
É importante saber que:
- não é baseada em instruções rígidas. Pelo contrário, o foco principal é evitar a rigidez.
- seu resultado requer um tempo maior em comparação aos outros métodos da Medicina Tradicional Chinesa, já que se trata de uma mudança de hábito gradual a partir da conscientização do paciente a respeito dos alimentos importantes para manter sua saúde.
 
Acupuntura
É a técnica mais conhecida, no ocidente, da Medicina Chinesa. Por possuir bons resultados diante de muitas enfermidades e uma importante atuação preventiva é uma parte da MTC de grande papel na saúde do Povo Chinês, assim como, tem obtido o respeito e confiança de outros países, ganhando assim, uma projeção mundial, sendo recomendada, em 1979, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) da ONU para o tratamento de múltiplas doenças.
No Brasil, a acupuntura foi introduzida no fim da década de 50. Em 2006 foi publicada uma portaria pelo Ministério da Saúde estabelecendo diretrizes para a incorporação e implementação dessa prática pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
O tratamento consiste no estímulo dos meridianos (canais de energia) com o objetivo de equilibrar o fluxo energético do corpo, contendo, dessa forma, o fator causador da doença e não somente o sintoma. Para este estímulo são utilizados: agulhas, ventosas, massagens e até mesmo calor proveniente da queima de ervas.
 
Terapias Manuais
(Tui Na)
Os sábios chineses da antigüidade observaram o comportamento de esfregar, comprimir, amassar ou bater com as mãos os locais de dor ou desconforto no corpo e desenvolveram, ao longo dos anos, a Terapia Manual.
O Tui Na é mais uma especialidade médica dentro da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Consiste em usar as mãos como instrumento de tratamento, desbloqueando canais energéticos e reequilibrando o fluxo promovendo, conseqüentemente, a saúde.
 
Exercícios terapêuticos
(Qi Gong)
O Qi Gong é uma disciplina da Medicina Tradicional Chinesa que tem como objetivo o treino interior para o equilíbrio do corpo como um todo: físico, mental e espiritual. Consiste em exercícios e posturas que exigem treinos regulares, disciplina e aplicação prática da sua filosofia no dia-a-dia. Pode ser praticada por pessoas de diferentes faixas etárias, pois promove inúmeros benefícios. Outra forma de se aplicar o Qi Gong é através da imposição das mãos para canalizar ou transmitir a energia ao paciente, no entanto, somente praticantes muito experientes conseguem realizar tal transmissão. Alguns estudos mostram que o REIKI (terapia Japonesa de canalização ou transmissão de energia) tem como base o Qi Gong, pois o seu fundador, o Mestre Usui era um praticante. O Qi Gong é utilizado nos hospitais de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), na China, como uma prática terapêutica de rotina sendo utilizada complementarmente com outros especialidades de Medicina Chinesa ou Ocidental, também é disciplina obrigatória nos Cursos Universitários de MTC.
 
(Tai Chi Chuan)
O Tai Chi Chuan foi criado com propósitos de combate, como arte marcial, mas com o passar dos séculos esta função foi sendo relegada em favor dos propósitos relativos ao desenvolvimento da saúde. É um tipo de exercício composto de movimentos suaves e relaxantes, desenvolvidos para estabilizar o equilíbrio das forças vitais do organismo (a união da energia Yin e Yang), isto ajuda todo o corpo a executar as suas funções de maneira mais eficiente.
Na China esta arte está em toda a parte; nos parques, nos hospitais e clínicas, nos templos, empresas e fábricas. Pela manhã os parques das cidades na China, enchem-se de pessoas a praticar Tai Chi Chuan e Qi Gong. As estimativas oficiais indicam, que o número de cidadãos chineses que praticam nos parques varia de 80 a 200 milhões, e isto ocorre devido aos programas do ministério da saúde publica da China.
 
Indicações
Dores, insônia, depressão, ansiedade, estresse, pânico, dor de cabeça, enxaquecas, sinusite, rinite, distúrbios gastrintestinais, diarréia, constipação, problemas ginecológicos, incontinência urinária, dependência química, problemas neurológicos, obesidade, vertigem, zumbido, labirintite, anemia, problemas respiratórios, resfriados, gripes, queda de imunidade, tosse, faringite, rouquidão, problemas de pele e unha, entre outros.
 
 
LEGALIDADE
Nova decisão do STJ define a prática da acupuntura no Brasil:
Ninguém está impedido de praticar a Acupuntura no Brasil, portanto os profissionais da área saúde têm o direito de exercer a Acupuntura sem nenhum constrangimento da lei.
Em decisão de 05 de setembro de 2012, o Ministro Arnaldo Esteves Lima do Superior Tribunal de Justiça afirma claramente que: “a Acupuntura ainda não foi regulamentada no país, sendo o seu exercício franqueado a todos os profissionais da área de saúde que obtenham aprovação em cursos específicos de formação”.
Atualmente, a formação em Acupuntura está sendo realizada, através de Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu (Especialização) promovidos por Instituições de Ensino Superior (Faculdades e Universidades), com carga horária de 1200 horas e Cursos de Habilitação Técnica reconhecidos pelas Secretarias Estaduais de Educação, com carga horária em torno de 1600 horas. Há, também, o formato de Cursos de Formação de Especialista, promovidos por instituições especializadas em Acupuntura, sem respaldo do MEC, porém reconhecidos por Conselhos de classe da área da saúde.
A Acupuntura não é ato médico, pois não existe definição do que é ato médico, legislação que ainda não foi votada no Congresso Nacional. 

A Acupuntura é um procedimento seguro e eficaz, e a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os riscos de sua prática são mínimos, com percentual inferior a 0,02%. Além disso, os Projetos de Lei, que tramitam no Congresso Nacional, objetivam regulamentar a prática da Acupuntura, envolvendo todos os que estão hoje no mercado trabalho, incluindo os alunos que já estão matriculados em Cursos de Pós-Graduação ou Técnicos, conforme o que determinará o disposto pelo Parágrafo Único do Art. 3º do Projeto de Lei 1549/2003.
Parágrafo único: É assegurado aos profissionais de que tratam os incisos III e IV deste artigo o direito de concluir, em prazo regulamentar, os cursos que tenham sido iniciados até a data de entrada em vigor desta lei.
III – ao portador de diploma de graduação em nível superior, que tenha concluído curso de pós-graduação ou especialização em Acupuntura.
IV – ao portador de diploma de curso técnico em Acupuntura, expedido por instituição de ensino reconhecida pelo Governo.



Wdielly Araújo - Medicina Chinesa